por Grafiteiro
Aqui está meu primeiro conto que fiz em minha
vida, aqui neste instante, exclusivamente para
esta comunidade. Peço a todos que me lerem que
sejam condescendentes comigo. hehehehehe
Tudo começou quando ele aceitou um pouco
da pipoca que a Nice comia. Trocaram de olhares e
sua linguagem de sincero entendimento e desejo
estabeleceram uma relação de união informal sem
nenhum compromisso firmado. E agora na velocidade
do pensamento, tudo aquilo passava quadro por
quadro em sua mente. Estava preso no banheiro,
todo nu e nem toalha tinha nele para esconder sua
nudez. Nem janela para escapar. Só o silêncio, o
controle da respiração e um passar de horas
dentro de poucos minutos na sua imaginação.
E os slides mentais passavam, passavam
ritmicamente. O instante de tocar suas mãos no
restaurante a beira mar àquele instante que
fizeram amor pela primeira vez dentro do carro.
Em um dia como hoje, lá estava o Nélio a caminho
da casa dela com uma garrafa de vinho na mão.
Seria o máximo na sua imaginação um vinho, umas
palavras doces e uma tarde de prazer. Teve a sua
orgia vespertina, mas `a custa de leite de soja e
outros petiscos macrobióticos. Afinal, acabara de
descobrir uma Sacerdotisa do Vale do Amanhecer.
Agora se acostumara com os hábitos da
capricorniana. Era a penitência que se submetia
para gozar daquele corpo dourado. Ficou viciado.
Toda hora era hora de se encontrar com ela. Como
o dia era pequeno entrava pela madrugada adentro,
e depois abatido voltava pela casa na velocidade
máxima que seu carro produzia. Ainda bem, que não
mais bebia. Nunca a garrafa de vinho tinha sido
aberta. apenas servia de marco de sua passagem,
de sua existência e de seu domínio. Era um totem
profano. E assim, os quadros se passavam
lentamente em sua mente febril. Estava em transe.
Naquela noite, tinha feito amor com a deusa,
e , estava no banheiro quando chegaram visitas.
Tinha deixado a toalha fora de outras idas,
estava desesperado a imaginar como sair daquela
situação. Ela apressadamente se vestiu e foi
atender, pedindo que se trancasse e ficasse
quieto.
Era seu irmão. Ouvia a sua voz, de longe, e
conversava consigo mesmo; o que acontecerá se
ele quiser vir ao banheiro?
Enquanto nada acontecia, Nélio, sem saída,
fazia suas imprecações e juras, para o que fazer
se saísse bem desta situação. Nem nos seus pais e
irmãos pensou. E como demorava a conversa entrou
em devaneios. Enfim, bateram na porta do
banheiro. Rapidamente se posicionou para um
ataque e abriu o ferrolho ou a fechadura. Nem me
lembro o que ele me contou. E de repente,
terminou o seu pânico: era a Nicinha, e dela
ouviu o cochicho: Era meu irmão, fale baixo que
estão indo embora. Veio ver se eu tinha bebida, e
eu dei tua garrafa de vinho!
quinta-feira, 17 de julho de 2008
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