Por Grafiteiro
Era é uma cidadezinha surgida praticamente de uma clareira no meio da floresta amazônica. Seu histórico data de 1975, quando chegou o primeiro morador Senhor Brasil. Posteriormente passou a se chamar Vila Brasil até que definitivamente se transformou em município passando a ser chamado de Amajari. Segundo o serviço de estatística do IBGE 2001, fica a 158 Km de Boa Vista, com 28 500 Km² numa população de pouco menos de 6 000 pessoas dispostas entre aqueles moradores da floresta e os residentes urbanos. Os índios não foram considerados por serem parte de uma comunidade móvel que ora estava no município e ora atravessava a fronteira venezuelana.
É neste cenário que o Sargento Penha tinha saído do Ariquemes para neste ermo local destacar. Solteirão, contava os dias para se retirar para um local mais afável para se estabelecer melhor, longe da falta de quase tudo, inclusive de moças casadoiras.
A vida na selva era simples, porém cheia de contrastes. A doença transmitida pelo mosquito, a malária, era o selo de cada um dos habitantes. Quem nunca foi parar no regime do quinino? Quem nunca pegou mais de uma vez? Os mosquiteiros eram artigos de luxo e dez vezes mais caros daqueles vendidos em Manaus. E só se sacrificavam e compravam quando contraiam a malária pela primeira vez. E o Sgt. Penha já tinha sido batizado!
O quartel, posto avançado do Exército Brasileiro na fronteira era o promotor da economia local juntamente com os seringueiros. Uma grande praça com uma igreja devotada a Santa Luzia, uma Farmácia onde funcionava uma padaria, um bordel, antigo casarão de dois andares construído pelo Seu Brasil, alguma mercearia, e uma associação comunitária com jogos de sinuca. Mais um salão de beleza que certamente funcionava na casa de um dos residentes.
Com suas luzes vermelhas o Bordel Brasil replandecia cheio de vibrações repleto com mulheres de todos recantos, o que tornava as noites muito apreciadas. Dizia-se que quem tinha mais de 30 anos era forasteiro em Amajari. Enfim a vida pulsava entre as cervejadas, os etílicos e os refrigerantes misturados com carne de caça assada na brasa nas noites quentes e úmidas onde o elemento brisa estava parado ou paralisado incapaz de fazerem mexer as folhas das açaizeiras.
As comunicações eram via aquática ou terrestre com toyotas. E como demoravam. Os militares preferiam a via dos rios Amajari e do Uraricoera; sempre existia esse movimento de vinda ou retornos do pessoal destacado.
Tudo ia bem nesse lugar quando chegou ao quartel um tenente jovem recém-saído da Academia Militar das Agulhas Negras. Era o Gregório Luís Viana Penha. Ele vinha disposto a estudar o movimento das ONGs nas terras indígenas sob a luz da soberania nacional envolvendo tantas organizações nacionais como até mesmo internacionais. Ouvira de seus professores dessa ameaça subjacente. Precisaria de contatos externos para ter uma compreensão mais aprofundada da realidade local. E foi nessas horas externas que aproveitava para curtir Marina Mari, linda morena maceioense de uns 35 anos. Nova, porém viajada cheia dos predicados que os homens costumam procurar para conjugar, com toda sensualidade brejeira.
Assim seguia calmamente o destino de cada um quando numa véspera de feriado local o clima ficou negro com uma briga pela disputa da Marina Mari. O Sargento Penha tinha ido se encontrar com Marina ao fim de uma tarde, e, ao subir as escadas rumo ao quarto da Marina, quando se deparou com o Tenente Penha que vinha saindo do quarto. “Você tá fazendo o que aqui, safado?” Gritou o sargento, o que respondeu
com um violento soco, o tenente. E assim, ambos robustos, ficaram trocando socos até se agarrarem e rolarem rumo às escadas. O alarido era grande com o barulho da briga e o grito das mulheres. Mas ninguém aparecia para apartar, enquanto isso o pau rolava.
Na frente do bordel tinha um fiteiro que fazia diversos serviços como o de sapateiro e jogo do bicho. Tomava conta o Nego Biu na hora dessa confusão quando ao passar o amigo Jayme, perguntou: que é que tá ocorrendo moço? E ele dando uma olhadela para os brigantes que deslizavam na escada disse soturnamente: “são dois homens que se dispenha por uma mulher que se disputa”. Foi ele que me contou essa história que ora me alembro pra vocês.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
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